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Das coisas que me irritam

  • Foto do escritor: Clarissa Ganzer
    Clarissa Ganzer
  • 10 de abr. de 2012
  • 3 min de leitura

Atualizado: 25 de fev. de 2021

10.4.2012 Há anos, desenvolvo uma teoria: existiriam menos conflitos entre os indivíduos se as pessoas aplicassem em seu cotidiano o conceito de impenetrabilidade e o altruísmo. Em linhas gerais, impenetrabilidade é a característica de dois corpos não poderem ocupar o mesmo lugar ao mesmo tempo e, quando me refiro a altruísmo, neste caso, é nada mais do que reconhecer a presença de outro ser próximo a você. Vamos aos exemplos práticos.


Ficar grudado em uma pessoa na fila do banco não faz a fila andar mais rápido. Raspar seu prato nas costas do sujeito da frente no restaurante ou balançar sucessivamente seus longos cabelos na cara de quem que está atrás não vai fazer a pessoa, por obra divina, ceder o lugar. Conforme-se que existe outro cara na sua frente e, educadamente, espere.


Este princípio vale também quando você está sentado perto da janela do ônibus e há alguém sentado no corredor. Se você quer descer no ponto seguinte, ficar se remexendo no banco ou levantar e bater nos joelhos de quem está ao seu lado não são sinais de que a pessoa deve se levantar para você passar. Abra a boca e com clareza peça: “com licença”. Depois agradeça. Viu como é fácil?


Em viagens interestaduais, se você se sente mal e acredita que aquele hambúrguer do seu tio não lhe caiu bem, aproveite quando o motorista avisa que vai parar por 20 minutos em uma rodoviária para ir ao banheiro do estabelecimento. Perceba que por mais de quatro horas outras 39 pessoas dividirão aquele espaço fechado com você. Desça e faça suas necessidades fisiológicas fora dali. E se, durante este tempo na rodo, você pensar em comprar um salgadinho de queijo para comer dentro do ônibus, relute. É pedir muito?


Aliás, sabe aquele suporte que divide os bancos e que, aparentemente, tem como objetivo servir de apoio para os cotovelos? Não, na verdade, ele não está ali para encosto. Ele funciona como um muro imaginário, alertando-o que do outro lado há um ser que é muito desconfortável viajar com o seu cotovelo nas costelas do seu colega de assento. Aceite.


Ao entrar em um restaurante, lanchonete, padaria, reflita. Você não está em uma avaliação de RH e não precisa andar em grupo. Escolha uma mesa longe daquele casal ou daquela família. Acredite, eles querem um pouquinho de privacidade e roçar sua cadeira na cadeira deles, fazendo sua voz impregnar na cabeça de cada pessoa ao seu lado, não ajuda.


Se a pessoa não dormiu e nem acordou com você, as primeiras palavras do dia, quando encontrá-la às 7:26 da manhã, não deverão ser: “conseguiu fazer aquele trabalho?”. Troque a pergunta chata por um “bom dia” sem muito entusiasmo ou um “oi” e depois emende o assunto de seu interesse.


Quando um chicle é dado para fulano e sicrano e sicrana também pedem um, certifique-se que seu amigo não está lhe oferecendo apenas para não se sentir tão mesquinho. De qualquer maneira, não pegue.


Se você não mantém conversas frequentes com algum colega, guarde o que você pensa sobre o cabelo do cara para si próprio. Não há razão em dizer que o penteado não ficou bom sem intimidade. Exercite seu cérebro, trabalhe seus filtros, pense antes de falar. Em caso de dúvidas, não diga nada.


Ah, falando em falar, aplique diariamente as palavrinhas mágicas que aprendeu na primeira série: por favor, com licença e obrigada. Ok?


Leia essas dicas por pelo menos um mês todos os dias e aplique os conselhos, talvez você se torne menos “sem noção” e não perturbe pessoas que, como eu, só estavam querendo pagar a conta de luz em paz e almoçarem sem se sentirem incomodadas.

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​Copyright © 2025 Clarissa Ganzer | Jornalista (0014438/RS) e arquiteta e urbanista (A147507-0/RS); DRT (0010994/SC). Todos os direitos reservados.

 

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